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Domingo, 14 de Fevereiro de 2010 - 17:41

Feriadão 2010. A história da mulher que falava frases de pára-choques

                    Você conhecerá a história de uma pacata cobradora de pedágios que virou celebridades por alguns dias. Vocês,...

Você conhecerá a história de uma pacata cobradora de pedágios que virou celebridades por alguns dias. Vocês, candidatos e eleitores, poderão comparar essa história com o que acontecerá nos próximos três meses no seu bairro, na sua cidade e no seu Estado, com o período eleitoral. Verá se após as convenções  confirmadas entre os partidos, o eleitor fica fora ou dentro das negociações. Você será abordado pelos candidatos, vizinho, amigo, parente, por diversas formas para ganhar o seu voto, o que os interessa só por 90 dias, depois somente em 2012. Acreditem! Eles vão precisar de você, eleitor, nesses dias que antecedem as eleições de 05 de outubro de 2008.

Mas relembremos o começo: uma bela funcionária, chamada Dirce, trabalhava no pedágio de uma estrada pouco movimentada, tendo seus dias monótonos. Tudo mudou quando ela foi transferida para uma cabine que atendia caminhões. Para passar o tempo, a moça começou a anotar as frases de pára-choques num caderninho que levava para casa à noite.

A família esperava ansiosa a hora do jantar, momento em que ela lia o que havia coletado durante o dia. Dirce passou a incorporar as frases em seu vocabulário a ponto de só falar por meio delas. Uma TV veio entrevistá-la e, assim, a moça virou uma celebridade.

Observe, nessa primeira parte, que a Dirce é o seu vizinho, ou amigo candidato a vereador ou prefeito. Tudo que ele sabe falar é política. Entrega santinhos, gasta o que não tem, e acaba envolvendo a família.

Os dias se passaram, até que Dirce recebeu uma proposta milionária, da maior fabricante de caminhões do país, para estrelar uma campanha publicitária. O marido dela ficou exultante com os valores do contrato: “Finalmente  vamos conseguir comprar nossa casa e o carrinho que sempre sonhamos... Graças ao seu talento, meu amor”.

“Rico tem veia poética, pobre tem veias com varizes”, brincou Dirce.

No dia da gravação, um carro da produtora foi buscar Dirce em casa. Ela estava sendo esperada por uma grande equipe. Foi direto para a sala de maquiagem. “Você é muito mais bonita ao vivo do que na TV”, elogiou uma das maquiadoras. “A mulher foi feita da costela... Imagine se fosse do Filé”, respondeu Dirce.

Todos ficavam admirados como ela sempre encaixava uma frase de pára-choque na conversa. “Seu cabelo também é muito bonito”, disse o cabeleireiro contratado pela agência. “Cabelo de pobre é como bandido: quando não está preso está armado”, brincou Dirce.

O diretor do comercial interrompeu aquele alvoroço na sala de maquiagem: “

Está tudo pronto? Vamos começar a filmar. Fique tranqüila, Dirce, o seu texto será bem simples, disse ele. “A vida só é dura para quem é mole”, disse Dirce tranquilamente.

Dirce foi levada até o set de filmagem, onde mais um batalhão de profissionais a esperava. Três novos modelos de caminhões estavam perfilados no estúdio. Dirce ensaiou a única frase que precisaria dizer. O texto era de um pára-choque de caminhão: “O sol nasce para todos; a sombra para quem merece”. E apontava para os caminhões. Quando estava tudo pronto para começar, um desastre! Um dos refletores de luz caiu bem na cabeça dela. Ai...

Dirce ficou ali no chão, desmaiada, por um bom tempo. A equipe de produção do

comercial entrou em desespero. Alguém trouxe um copo de água, enquanto outro chamava a ambulância. A mulher foi levada ainda desacordada para o hospital.

Quando ela finalmente abriu os olhos, um médico, uma enfermeira e o marido dela estavam em volta da cama. “O que aconteceu comigo?”, perguntou sentido uma dor muito forte na testa. “A senhora sofreu um pequeno acidente, nada grave. Foi apenas um susto”, tranqüilizou-a o médico. “Deus cura, e o doutor manda a conta”, riu o marido.

“Que é!?. Do que você está falando?”, estranhou Dirce. “Estou dizendo uma frase de pára–choque de caminhão para animar  você, benzinho”, explicou o marido, todo cheio de dengos.

- Que bobagem é essa, Sandoval?

- Ah, não é você quem só fala frases de pára–choque, querida?

- Eu? Tem certeza?

- Claro. Fale uma. Uma só...

- Não me lembro de nenhuma agora.

O marido gelou na hora. “Vamos lá, eu te ajudo: ‘A fé remove montanhas, mas eu prefiro dinamite’. Agora é sua vez”. “Não conheço nenhuma outra”, Dirce fechou a cara. A  pancada fez a mulher apagar de sua memória todas as frases de pára–choque de caminhão.

A notícia logo se espalhou pela cidade e ela viu os contratos evaporarem. O comercial dos caminhões foi cancelado. O acordo para publicar um livro com frases de pára–choque, já  assinado, foi rasgado. Os repórteres desapareceram da porta de sua casa. A mulher que só falava frases de pára–choque deixou de ser uma celebridade.

Alguns dias depois, resignada, Dirce colocou seu uniforme e retornou à rotina de trabalho no pedágio. O sonho tinha acabado. Mesmo assim, incentivada pelo marido, ela resolveu levar seu caderno para começar a anotar tudo outra vez.

Nesse caso, o realismo político de Maquiavel sempre distinguia o efeito das ações dos governantes sobre os muitos pobres (que são os simples, sem ambição política) e os poucos  (que são os ricos, aristocratas, os  que buscam o poder, os que têm meios de conspirar contra o príncipe).

Embora seja uma divisão grosseira da cidadania, esta divisão, com a qual Maquiavel trabalha, ainda é valida e usada até hoje, sobretudo quando segmentamos os candidatos ou o eleitorado de acordo com critérios sócio-econômicos.   

Aí é quando o mundo cai de vez: A notícia da derrota se espalha; as dívidas aparecem, não existe mais o glamour da imprensa, os acordos são rasgados e o fundo do poço parece não ter mais limites. E quando cai na real o ex-candidato responde: “Eu prefiro dinamite!”.

Tudo isso se dá em um momento em que as pessoas são assediadas por pessoas maldosas (políticos profissionais) que convidam as chamadas “mulas”, que são pessoas “usadas”, apenas para trabalharem pela captação de votos, ou seja, são usadas somente para ajudarem os candidatos viciados a fazer legendas partidárias. No final das eleições só resta as “mulas” pagarem suas dívidas e, em alguns momentos, elas (as mulas) precisam até de se dispor de alguns bens materiais como móveis e imóveis para quitar suas dívidas. “Quem avisa amigo é!”

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Por: Redação 

 

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