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Sexta-feira, 05 de Março de 2010 - 08:58
Linda Morais: queremos ser competidores ou companheiros?
A presidente do Sindicato da Alimentação do Espírito Santo (Sindialimentação/ES), Linda Morais, concedeu ao Jornal Sindinotícias uma entrevista em primeira mão e falou sobre: demissões, trabalhadores...
A presidente do Sindicato da Alimentação do Espírito Santo (Sindialimentação/ES), Linda Morais, concedeu ao Jornal Sindinotícias uma entrevista em primeira mão e falou sobre: demissões, trabalhadores que exercem suas atividades doentes, o ano de 2009 para o sindicato e planejamento de ações estratégicas para condução da luta neste ano.
Linda também nos contou sobre as estratégias da empresa Chocolates Garoto com a competição entre os próprios trabalhadores. “Felizmente somos dotados de inteligência para perceber e refletir a respeito e podemos ainda nos perguntar: que tipo de trabalhadores queremos ser? Competidores ou Companheiros?”, disse a presidente do Sindialimentação/ES.
Sindinotícias: Como você avalia quase cem demissões na Chocolates Garoto em 2009?
Linda Morais: Se avaliarmos do ponto de vista do TURNOVER praticados pelas empresas, poderíamos dizer que está dentro dos percentuais de rotina, a média anual deste número seria de 7 a 8 demissões mês. Mas uma demissão é uma demissão. Este é um número alto considerando que a empresa exclui de seu quadro funcional: trabalhadores com mais tempo de casa, com algum tipo de problema de saúde, os próximos de receberem seus prêmios quinquenais ou próximos de se aposentarem. Como falar para um trabalhador que depois de 15, 20 anos de trabalho que "ele" não está dentro do perfil exigido pela empresa?
Sindinotícias: Como você avalia a situação de trabalhadores atuando doentes dentro da empresa?
Linda Morais: Os trabalhadores conscientes não trabalham doentes na fábrica, não fazem das horas extras a principal renda da sua vida profissional e vão até o sindicato. Os trabalhadores que se omitem e vão trabalhar mesmo quando de atestado médico ou com alguma enfermidade, ainda não têm claro o preço que esta atitude tem para a sua saúde, para a sua vida.
Fizemos uma investigação e percebemos que é um número pequeno, mas muitas vezes o trabalhador toma esta decisão em função do seguinte cenário da fábrica: a Chocolates Garoto, como uma grande empresa e para acompanhar o mercado sempre vislumbrando o lucro e o seu melhor lugar no mercado de chocolate, busca a cada dia aperfeiçoar seu maquinário, seus programas de produção. Sua organização na produção torna-se mais ousada, exigindo que o funcionário seja polivalente, instruído, criando uma falsa hierarquia entre os funcionários. Promove um funcionário um grau a mais, mantém uma diferença pequena de salário sobre outro colega e faz deste promovido um “chefe" dos demais.
Na realidade ela "joga" com o fascínio do operário ter uma posição e poder ser diferente, mas na verdade quem dita as regras sobre demissões e como lidar com o chão de fábrica é o alto escalão. Uma das metas da empresa foi reduzir o número de supervisores e colocar uma "falsa" autonomia em grupos de trabalhadores, com essa atitude ela ganhou com a redução de altos salários das chefias e mantém um controle maior da produção, tendo operário "mandando" em operário. Esta estratégia aliena muitos trabalhadores, deixando muitos fascinados, porém ela é cruel quando quer demitir, porque alienados ou não, aqueles que se deixam "levar" por ela, também são excluídos de forma inesperada. O Sindicato tanto em seus boletins, como através da diretoria, nas assembleias ou na mídia externa como o Jornal Sindinotícias, propaga a importância da organização da classe trabalhadora na luta contra as investidas do patrão.
Sindinotícias: Como foi o ano de 2009 na questão Sindicato x Garoto?
Linda Morais: O Sindicato esteve vigilante em relação a conduta da Garoto para com os trabalhadores. Fazendo uma breve análise, consideramos que foi um ano de luta e um ano de muitas vitórias: foram muitas reintegrações, processos jurídicos ganhos em prol da categoria e revertemos casos de demissões de trabalhadores através da pressão sindical. Quanto as negociações de acordos coletivos, após cerca de trinta reuniões, muitos protestos, assembleias e mobilizações, fechamos um bom acordo de participação nos lucros e um acordo coletivo que garantiu os benefícios já existentes e a inclusão de outros benefícios.
O Sindicato teve um desempenho muito firme ao intervir e evitar que houvesse mais demissões através da sua atuação política e jurídica. O ano de 2009 foi de batalhas ganhas, a exemplificar a inédita assembleia com cerca de quase 2 mil trabalhadores presentes, onde a empresa apostou que passaria a proposta imposta por ela e a categoria deu crédito ao sindicato. Esta foi a nossa maior vitória no ano de 2009.
Sindinotícias: O que você espera para este ano de 2010?
Linda Morais: No final de 2009, já elaboramos um planejamento que prevê um melhor aparelhamento em nosso departamento jurídico, além de mais formação para todos nós diretores e planejamento de ações estratégicas para condução da nossa luta. Espero um 2010 de lutas compartilhadas com os trabalhadores, com apoio da sociedade organizada para que além de novos desafios, tenhamos êxitos em nossa caminhada. Este ano também é marcado pelas eleições em nosso país, vamos eleger deputados e o cargo máximo do país. Os trabalhadores precisam estar atentos ao histórico dos candidatos, as propostas apresentadas e principalmente a base representativa. Os trabalhadores não devem ficar à deriva de um processo eleitoral, devem participar para que se possam eleger pessoas comprometidas com a nossa luta, independente de partidos. Portanto que em 2010, as pessoas que forem eleitas, sejam comprometidas com a luta dos trabalhadores.
Por: Redação
Foto: Jornal Sindinotícias
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