Matérias Especiais

Sexta-feira, 09 de Julho de 2010 - 15:20

Cinqüenta e oito famílias desempregadas em Guarapari/ES.

Em entrevista (08/07) ao Jornal Sindinotícias, a Presidente da Associação dos Quiosqueiros do Município de Guarapari (AQMG), Cláudia da Silva, contou que a situação vivida pelos cinqüenta e oito...

Em entrevista (08/07) ao Jornal Sindinotícias, a Presidente da Associação dos Quiosqueiros do Município de Guarapari (AQMG), Cláudia da Silva, contou que a situação vivida pelos cinqüenta e oito quiosqueiros da Praia do Morro continua, no mínimo, desumana.

A “Cidade Saúde”, como é conhecida pela história, atrai diversos turistas do mundo inteiro graças às suas belezas naturais e às areias monazíticas (radioativas), com virtudes alegadamente terapêuticas, apesar dos benefícios no tratamento de artrite ou reumatismo não terem comprovação científica.  

Guarapari vive em função de uma de suas principais rendas: o Turismo. Já relatamos anteriormente que a cidade vem enfrentando  graves problemas com o abastecimento de energia e de água. Chegando o período das férias escolares, os mais de 500 mil turistas terão que conviver com problemas como a falta de segurança pública, falta de um hospital de referência, falta de estacionamento e agora, para piorar a situação, tem a questão das obras da orla que o mar vem destruindo, inclusive, os quase 58 quiosques localizados na Praia do Morro. Acompanhe a entrevista:

A presidente diz que pelo o que pesquisou, o município está empenhado em cumprir com as condicionantes, mas não muda o fato de que não podem iniciar as obras da orla da praia. Porém, o Município iniciou o processo de reurbanização, iniciou as obras, e foi removendo material pertencente aos Quiosqueiros. Lembra que Anexo a determinação da SPU e a proibição da Prefeitura. (a data 07/04-SPU foi adiada p/ 30/04, depois 20/05 por causa da greve da SPU que iniciou em 21/04 e terminou em Junho). A título de esclarecimento, está havendo uma pequena confusão na orla da Praia do Morro pelo fato de a Prefeitura Municipal não deixar os quiosqueiros tirarem todos os seus materiais da praia, adquiridos com recursos próprios. Mas os trabalhadores acreditam que mais este problema será resolvido, se DEUS quiser. As obras já iniciaram a remoção.

Segundo Cláudia, os trabalhadores acreditam que não há necessidade do Município querer "aquilo” (telhas, madeiras, pias etc.) que para ela não é nada, mas para o quiosqueiro um telhado de R$ 3.000,00, vendido, o ajudará a manter-se por algum tempo. Ela ainda relata que quem ficará na orla não receberá indenização alguma, e alguns não têm outra fonte de renda até a obra ser concluída. Outro aspecto apontado pela presidente é que não existe duração para a conclusão das obras exposto nas placas. “O Prefeito poderia liberar logo isto e permitir a desocupação pelos quiosqueiros para que a obra inicie logo, e esta novela tenha fim” avaliou.

Para a Associação “o abuso da autoridade está claro e não há respeito algum para com os trabalhadores”. Cláudia diz não ter recebido nenhum valor com relação à indenização, e esta é pela desocupação da utilização do espaço e não pela venda dos materiais que compramos para construir os quiosques.

Outra situação relatada pela representante dos quiosqueiros é que os trabalhadores que foram  contemplados  com o novo estabelecimento, “Além de não serem mais donos dos quiosques, eles ainda terão de pagar aluguel (cessão onerosa), e a maioria destes quiosqueiros estarão desempregados até a conclusão da obra, sem renda alguma para se manter. O Município não precisa de material usado dos quiosqueiros, já o quiosqueiro precisa”, frisou.

Para Cláudia, enquanto a orla da Praia do Morro estiver em obras, as outras praias serão mais visitadas pelos turistas. “A Praia da Cerca poderá ser uma delas por se localizar no final da Praia do Morro, tem aproximadamente 300 metros de extensão de areia e um lindo visual. Como permissionária de quiosque, acredito no desenvolvimento do turismo, na qualidade de atendimento e contribuição com o crescimento da cidade. O que não consideramos justo é: não negociarem com os quiosqueiros, não estabelecerem sobre como receberíamos a indenização e a indefinição de quem sai da orla; para que tenhamos outra perspectiva de vida, que nos dessem logo oportunidade de procurarmos outra maneira de sobreviver, e que não ficássemos na expectativa se seríamos ou não contemplados com os novos quiosques”, opinou Cláudia.

Cláudia disse que os quiosqueiros sempre desejaram a reurbanização da orla, e como isto está prestes a acontecer, ela lembra que existe um TAC a ser respeitado. “Agora isto está quase tudo resolvido e quiosque não é impedimento para o início das obras, desde a revogação da liminar em 18/06. A liminar era só para resolver o impasse do processo seletivo e da indenização. Esperamos que a administração cumpra o TAC para que não prejudique ainda mais a situação que está bastante delicada no município”, finalizou.  

Por: Redação

 

Tags: