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Sexta-feira, 17 de Agosto de 2007
Militante defende cotas para negros na Ufes
O Sindinotícias entrevistou na tarde desta sexta-feira (17/08) o militante do movimento negro do Espírito Santo, Gilberto Batista, que relata sua indignação com a Universidade Federal do Espírito...
O Sindinotícias entrevistou na tarde desta sexta-feira (17/08) o militante do movimento negro do Espírito Santo, Gilberto Batista, que relata sua indignação com a Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) que aprovou no dia nove de agosto apenas a criação de cotas sociais. O militante luta a favor das cotas raciais na universidade. Segundo Gilberto, os afros-descendentes representam 57% da população capixaba, portanto exigi que as reivindicações junto ao Estado Brasileiro sejam respeitadas.
Qual o objetivo da cota racial?
Nós reivindicamos que o Estado Brasileiro reconheça a dívida que tem com a população negra e ao mesmo tempo promova uma ação social na sociedade como emprego, educação e outros. Cotas é um processo que desde 1930 constrói uma política no sentido de a população negra ter a única possibilidade de sair da marginalidade por meio da educação. Sem educação eles não conseguem melhores empregos, moradia, enfim, todas estas riquezas que são produzidas no Brasil e que é distribuída somente para uma parte. As Cotas são tratamento diferenciado para aqueles que nunca tiveram oportunidade de entrar na universidade e também contribuem para mobilizar a sociedade para melhorar a escola pública.
Você é a favor ou contra as cotas sociais?
Somos a favor das cotas sociais. Todos os nossos projetos contemplaram as cotas sociais. Agora, nós contemplamos as cotas sociais e raciais porque as reivindicações são diferenciadas. As cotas sociais tratam especificamente do aluno pobre, já a cota racial adquire um outro contexto, o de atender a uma grande população que herdou as contradições promovidas pelo sistema escravista, e, portanto existe um crédito maior para o estado brasileiro.
Como você encara o apoio do DCE da UFES à cota racial?
Eu acho que é uma questão lógica que está colocada. Eles conseguiram absorver o fundamental da política que eles sabem o quanto é importante. Os representantes do DCE aprenderam a lidar com a temática enquanto os muitos são racistas. Eles sabem que quem tem razão nesta história é o movimento negro.
Quais são as conquistas do movimento negro nos últimos cinco anos?
A questão das cotas é uma conquista porque esse debate nós já ganhamos na sociedade. Só no Espírito Santo que ainda não foi implantado este sistema de cotas raciais. Outro ponto é o racismo que é algo que impede o acesso do negro na sociedade brasileira. Outra questão também importante é a da mulher negra que já existe toda uma política definida, e por fim, nós temos diversas conquistas, mas também precisamos conquistar muitas coisas ainda. O grande desafio a ser enfrentado é a presença do negro nos locais de trabalho. Pensamos que deve ter cotas para negros, como já existem para portadores de deficiência física. Vamos lutar por isso.
Por: Peggy Maressa


