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Quinta-feira, 15 de Dezembro de 2011
Uma observação sobre a primeira estrofe do “Poema de sete faces” de Carlos Drummond de Andrade
Literatura
Poema de sete faces
Carlos Drummond de Andrade
Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: “Vai, Carlos! Ser gaúche na vida”.
As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.
O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas, pretas, amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.
O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.
Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus,
se sabias que eu era fraco.
Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.
Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.
Pequena observação sobre a primeira estrofe:
O anjo torto que vive na sombra representa algo contrário à perfeição, pois não é destes anjos belos que vivem no Paraíso e sim “destes que vivem na sombra”, como representação de tudo aquilo que é desacertado, imperfeito, e é justamente este “anjo” que anuncia a Carlos que ele seria “gaúche na vida”. O poeta mostra, com esta estrofe, que a vida não é um perfeito paraíso e que desde o seu nascimento o homem está fadado às intempéries do dia-a-dia, a ser um homem comum. Para realçar esta interpretação, o restante do poema apresenta traços da vida cotidiana.
Por:Lorena Ribeiro Damasceno – Estudante de Letras da Faculdade Saberes – Equipe Sindinotícias.
Foto meramente ilustrativa/ Internet


