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Quarta-feira, 28 de Dezembro de 2011

Restrospectiva 2011: Ministro parece desconhecer baixos salários, doenças e mortes do setor de rochas capixaba

O ministro de Minas e Energias, Edison Lobão, esteve no Estado ontem (15), e participou da abertura da 31ª Vitória Stone Fair, a maior feira internacional de mármore e granito da América Latina. A Vitória Stone Fair 2011 vai até sexta-feira (18), no Parque de Exposições de Carapina, na Serra (ES).

A Feira conta com a participação de mais de 400 expositores e visitantes do mundo. Entre eles destacamos: Estados Unidos, Itália, Egito, Espanha, França, Portugal, Índia, Argentina, Grécia, China, Paquistão, República Dominicana, Vietnã e Turquia.

Na ocasião, Lobão afirmou que o Espírito Santo é referência mundial no setor de mármore e granito e líder na produção nacional de rochas. Disse ainda que o setor contribui com a geração de emprego e melhores salários para os trabalhadores do setor de rochas ornamentais. LEIA MAIS: www.tst.gov.br

O ministro Lobão acertou em cheio quanto diz que o ES é “líder na produção nacional em rochas”. Mas, quanto afirma que os trabalhadores possuem “melhores salários” parece desconhecer totalmente a realidade desses trabalhadores do setor de rochas ornamentais do estado.

É lamentável que quase todos os presentes na Feira parecem de fato desconhecer o real mundo do trabalhadores capixaba do setor de rochas, que ano após ano, convivem com baixos salários, doenças e mortes.

O que o ministro Lobão precisa entender é que a visão do empresariado, em quase sua totalidade, visa somente o lucro. Caso o ministro precise de mais informações sobre o mundo que ele parece desconhecer, deve procurar dados na Superintendência Regional do Trabalho (SRT), no Sindicato dos Trabalhadores do Setor de Mármore (Sindimármore/ES) ou no Tribunal Superior do Trabalho (TST).

Em entrevista ao Jornal Sindinotícias, o presidente do Sindimármore/ES Aguinaldo José Grillo, que estava na ocasião, também considerou a posição do ministro equivocada: “Costumamos dizer que o trabalhador produz riqueza e vive na pobreza. Afinal temos um setor rico, onde os empresários ganham muito e andam de carrões por aí enquanto o trabalhador sequer possui transporte para se deslocar para o trabalho”, explicou.

Outro fator que o sindicalista considera grave é a falta de empenho dos patrões quanto a casos de doenças e até mesmo de morte. “O salário de um trabalhador do setor é de R$ 776,00. Isso não é nada quando se compara o grau de risco que este trabalhador está exposto.”Temos trabalhadores com doenças pulmonares, ortopédicas, perda auditiva e outros casos que aparecem devido ao esforço repetitivo e contínuo que este tipo serviço causa. A saúde de nossos trabalhadores e os baixos salários são bem precárias”, desabafou o presidente.

O caso do ministro brasileiro Lobão, que parece não ter informações precisas dos fatos, mais uma vez, demonstra que os trabalhadores estão sendo colocados de lado. Diante desse contraste de riquezas e precariedades nos perguntamos: Por que empresários e políticos com o setor em crescimento tão progressivo, não investem, além da regulamentação, na vida destes trabalhadores? Afinal, sabemos que esses trabalhadores são quem realmente sustentam esse império do mercado de granito e rochas ornamentais.

Nos últimos anos foram registrados mais de 400 acidentes de trabalho no setor varias mortes, sem contar àqueles trabalhadores que estão com doenças relacionadas à exploração do setor. Temos lamentado as mortes destes cidadãos, pais de família e trabalhadores que já muitas vítimas fatais no Estado.

Sabemos que isso tudo acontece, simplesmente por falta de maiores investimentos por parte destes empresários e de uma fiscalização maior das autoridades públicas em todos os locais de trabalho.

Já o governador Renato Casagrande parece estar mais “antenado” do que o ministro Lobão, deixando claro a boa intenção do Governo do Estado do Espírito Santo (ES), ao dizer que “as portas estão abertas para dialogar sobre as dificuldades que o setor tem e quer contribuir para arrumar soluções que existem no setor”.

O presidente do Sindimármore/ES, Aguinaldo José Grillo disse que o discurso do governador abriu novas possibilidades para que o sindicato se reúna para reivindicar melhorias. “Pretendemos marcar uma audiência com Casagrande para tentar sensibilizar o governo de que coloque cláusulas para que as empresas sejam obrigadas a reverterem seus investimentos para os setores de saúde e segurança dos trabalhadores, além de melhoria na condição salarial, pois, nas mesas de negociações esses são os setores que não avançam há bastante tempo”, finalizou Aguinaldo Grillo.

Por: Redação -

Sexta-feira, 18 de Fevereiro de 2011

Foto: Meramente Ilustrativa / Divulgação Internet

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