Notícias
Segunda-feira, 02 de Janeiro de 2012
Literatura
Iracema – José de Alencar
É de forma nobre e sensível que José de Alencar tece a sua prosa indianista, composta por linhas notavelmente poéticas, e que contam a história de Iracema, uma jovem índia da nação Tabajara, que segundo a Obra, era uma nação de índios habitantes das terras do Ceará antes de sua fundação e colonização. Iracema é descrita como a virgem dos lábios de mel, uma selvagem de beleza arrebatadora. Diz “a lenda” que, em certa tarde, esta “deusa das matas” surpreende-se ao notar que estava sendo observada por estranho guerreiro, seu primeiro impulso foi atirar-lhe uma flecha, que lhe atingiu a mão, foi então que, voltando a si, a virgem cuidou da ferida que causara no estrangeiro, talvez naquele instante ela percebesse que mais aguda fora “a flecha” que atingiu seu coração no momento em que seu olhar, em fração de segundos, encontrou-se com os olhos azuis do jovem europeu, cujo nome era Martim e que andava perdido por aquelas terras. Começa aí uma quase que impossível história de amor, já que Martim é amigo dos pitiguaras, nação inimiga dos tabajaras.
Martim é guiado à cabana do pai de Iracema, Araquém, pajé e sacerdote de Tupã, mas sente falta de sua terra, e retorna. Porém, algo o faz voltar logo à floresta, fora o belo olhar da jovem índia! Mas a tranqüilidade dos amantes é perturbada por Irapuã, um guerreiro tabajara apaixonado por Iracema, que passa a perseguir Martim. Neste contexto, Iracema se empenha em proteger e defender o amado, não escondendo a terna afeição que devota a este, fato que aguça ainda mais a ira de Irapuã e o faz proferir ameaças contra Martim. Martim então se encontra com Poti, herói dos pitiguaras e seu grande amigo, que se une a ele para auxiliá-lo a sair dali. Na noite que antecedia a saída, Iracema prepara a rede para a última noite de sono do seu amado na cabana, dá a ele uma bebida de efeito entorpecente e sem que ninguém perceba, o envolve, consumando ali o ato de amor. O dia da partida desponta e enquanto os guerreiros tabajaras participam de um ritual sagrado dirigido por Araquém, Martim é guiado, em seu regresso, por Iracema e Poti, este, fiel à sua amizade, afirma que não irá deixá-lo e aquela, quase no final do percurso, revela para Martim que seguirá com ele, por ser agora sua esposa!
Uma sucessão de fatos figura a perseguição de Irapuã contra Martim, até que finalmente o tabajara e seus homens são derrotados, quando colocam-se no encalço de Martim e Iracema, pois no momento em que os alcançam, são surpreendidos pelo exército pitiguara que, atraído para aquela região e comandado por Jacaúna, combate juntamente com Martim, Poti e Iracema, acabando por vencer a nação tabajara. Martim então parte com Iracema e Poti, que não intentam deixá-lo. Em um novo lugar, constrói uma cabana e ali habita com sua esposa e seu amigo, vivendo momentos de intensa alegria, duplamente amado: tem ao seu lado as próprias personificações do amor e da amizade. Mas a satisfação não pôde ser completa, pois a saudade da pátria confere à Martim a lembrança de que algo lhe falta. Com o passar do tempo, o amor de Iracema e os cuidados do amigo já não lhe bastavam.
Algumas batalhas que estavam sendo travadas contra os pitiguaras foram afastando o jovem europeu de sua esposa, de sorte que Iracema passara a viver quase que solitariamente. Uma nova palpitação, porém, desponta no coração de Martim, Iracema estava grávida! Mas como a brisa que vem e que passa, tal emoção logo esmaece, pois não impede que o jovem europeu prossiga com Poti em suas pequenas expedições, e este compromisso de lutar contra os inimigos de seus amigos, faz com que Martim continue deixando sua esposa sozinha, esta por sua vez, percebendo que estava perdendo o marido, vai se consumindo em sua tristeza. Um dia, sozinha, concebe o filho. Iracema continua morrendo aos poucos, morrendo de saudade, morrendo por amor. Martim, ao retornar de um longo período de lutas, recebe seu filho dos braços de uma mãe quase que desfalecida, esta esposa e amante pôde então contemplá-lo pela última vez, em derradeiro momento, antes que suas pálpebras cerrassem-se definitivamente.
Por: Lorena Ribeiro Damasceno – Estudante de Letras da Faculdade Saberes – Equipe Sindinotícias.


