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Quarta-feira, 04 de Janeiro de 2012
A metalinguagem e a heteronomia de Fernando Pessoa em Autopsicografia
Autopsicografia
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que leem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
Fernando Pessoa
Em autopsicografia, Pessoa utiliza a metalinguagem, pois fala do próprio poeta. Teoriza a construção de sua heteronomia, quando diz: “O poeta é um fingidor. Finge tão completamente...”, pois podemos entender que talvez através destes versos o autor esteja fazendo uma referência a si mesmo, já que assina a maior parte de sua produção poética com nomes diferentes, através de seus heterônimos, que são as suas falsas identidades. Portanto, o poeta seria um fingidor, Fernando Pessoa seria um fingidor! Quando finge ser, em seus poemas, quem ele não é.
Por: Lorena Ribeiro Damasceno – Estudante de Letras da Faculdade Saberes – Equipe Sindinotícias.
Foto: meramente ilustrativa/ Internet


