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Quinta-feira, 26 de Janeiro de 2012
Gramática Normativa: uma ditadura linguística!
Sabe-se que muitos defendem a Gramática Normativa como “ÚNICA FORMA CORRETA” de se falar a língua portuguesa, o que não é verdade. A Gramática é importante sim, mas é apenas uma variante da língua que falamos, e dominá-la é extremamente necessário para conseguirmos nos expressar adequadamente em determinados contextos de comunicação, ou seja, não precisamos utilizar a variante padrão o tempo inteiro! O autor Marcos Bagno, em seu livro: “Preconceito Linguístico”, discute esse assunto criticando essa posição conservadora em relação ao uso da Língua e comprova que muitas opiniões e ideias acerca do português brasileiro, nas quais grande parte da sociedade acredita cegamente, não passam de mitos. Trouxemos três desses mitos apontados por Bagno, para comentarmos um por um, na tentativa de fornecer uma pequena contribuição na desmistificação dessa visão petrificada que muitos têm da Gramática, vendo-a como Senhora absoluta da Língua:
Mito nº 2: “Brasileiro não sabe falar português / Só em Portugal se fala bem português”.
Devido ao fato do Brasil ter sido colônia de Portugal, existe a errônea ideia de que o nosso país é linguisticamente subordinado a Portugal, mas a verdade é que o português brasileiro não é inferior e sim gramaticalmente e foneticamente diferente do português de Portugal, já que são povos diferentes com culturas diferentes.
Mito nº 4: “As pessoas sem instrução falam tudo errado”.
Errado não! Apenas utilizam outra variante da Língua, uma variante própria, pois sabe-se que um falante nativo adquire com competência o domínio de sua língua materna desde os anos iniciais de sua vida. A Gramática Normativa ensinada nas escolas é apenas um complemento. Há pessoas que nascem, vivem e morrem sem nunca terem aprendido a ler e a escrever e nem por isso deixam de ser usuários eficientes da língua, pois se fazem entender, são capazes de transmitir suas ideias e intenções comunicativas.
Mito nº 8: “O domínio da norma culta é um instrumento de ascensão social.”
Se assim fosse, professores de Língua Portuguesa ocupariam o topo da pirâmide das classes sociais! É claro que o domínio da norma culta é fator de maior aceitação por parte da sociedade (principalmente das classes mais sofisticadas), facilitando a divulgação de nossas reivindicações. Ter esse domínio também é necessário para entrevistas de emprego, mas está longe de ser um instrumento de aquisição de poder. Pelo contrário, a norma culta, na verdade, é imposta pela elite com o objetivo de criar um abismo cada vez mais profundo entre as classes sociais, já que as classes mais humildes, sem acesso à educação escolar, dificilmente alcançariam o domínio da variante padrão.
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Portanto, ensinar português seria ensinar a língua como algo dinâmico e vivo, demonstrando seus vários aspectos: gramática normativista, linguagem formal e coloquial, entre outros. Mostrando ao aluno que existem diversas opções de comunicação e o momento certo de aplicá-las. Erro seria qualquer tipo de descuido ao se ensinar as normas gramaticais, pois se precisam ser ensinadas, que seja corretamente! É necessário mostrar que toda forma de linguagem é válida, desde que se esteja em um ambiente adequado para tal.
Por:Lorena Ribeiro Damasceno – Estudante de Letras da Faculdade Saberes – Equipe Sindinotícias.


