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Quarta-feira, 08 de Fevereiro de 2012
Feira de granito (ES) não tem representatividade dos trabalhadores
A extração do primeiro bloco de mármore do Espírito Santo aconteceu há mais de 50 anos. Hoje, o Estado é um dos principais exportadores de rochas do Brasil, com 70% da produção, sendo referência mundial em mármore e granito. Mas, por trás dessa grandiosidade econômica existem muitos problemas que são ofuscados pela produção.
Em 2008, o Laboratório de Saúde do Trabalhador da UNB (Universidade de Brasília) fez um levantamento de dados, onde foi constatado que as notificações de acidentes e doenças do trabalho cresceram 107% entre 2006 e 2007.
Atualmente, existe cerca de 25 mil trabalhadores no setor, apesar de toda a modernização dos últimos anos, ainda é um setor em que tudo é muito pesado, difícil e perigoso. Os trabalhadores, muitas vezes, têm que fazer esforço repetitivo, causando problemas de saúde (lombares, surdez) e a pior entre todas SILICOSE, uma doença pulmonar gradativa e irreversível que, com frequência, leva o trabalhador à invalidez e até ao óbito. Os trabalhadores do Espírito Santo têm muita dificuldade para o diagnóstico da doença adquirida por meio da poeira dos minérios.
O profissional do setor recebe em torno dos R$ 800,00 mais adicionais. Já o ajudante recebe aproximadamente R$ 630,00 e o ensacador, R$ 700,00.
Neste mês de fevereiro acontece no Estado a 33ª edição da Feira Internacional do Mármore e Granito - Vitória Stone Fair 2012, uma das principais feiras mundiais do setor, que será realizada entre os dias 07 e 10, no Parque de Exposições de Carapina – Vitória - ES.
A Feira funciona como uma vitrine da indústria brasileira e mundial de rochas ornamentais, além de agregar uma ampla gama de produtos e serviços integrantes da cadeia produtiva da construção civil, arquitetura e decoração, desenvolvimento de tecnologia, logística e comércio exterior, órgãos de fomento e apoio à atividade.
A expectativa para este ano é de que o evento atraia um público maior, 24 mil visitantes vindos de mais de 64 países e de todos os estados brasileiros. Além disso, o evento contará com um espaço de aproximadamente 35 mil metros quadrados, abrigando em torno de 400 empresas expositoras nacionais e internacionais.
Mais uma feira e mais uma vez os trabalhadores estão sendo colocados de lado. Diante desse contraste de riquezas e precariedades, nos perguntamos: por que os políticos capixabas e empresários do setor em crescimento tão progressivo não investem, além da regulamentação, na vida dos trabalhadores? Pois sabemos que são os trabalhadores que realmente sustentam esse império do mercado, chamado granitos e rochas ornamentais do Estado do Espírito Santo (ES).
Por: Redação
Foto: meramente ilustrativa/ Internet


