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Terça-feira, 29 de Maio de 2012

Análise dos poemas “Brasil” e “Erro de Português” de Oswald de Andrade

a) Brasil

O Zé Pereira chegou de caravela

E preguntou pro guarani da mata virgem

— Sois cristão?

— Não. Sou bravo, sou forte, sou filho da Morte

Teterê Tetê Quizá Quizá Quecê!

Lá longe a onça resmungava Uu! ua! uu!

O negro zonzo saído da fornalha

Tomou a palavra e respondeu

— Sim pela graça de Deus

Canhém Babá Canhém Babá Cum Cum!

E fizeram o Carnaval

b) Erro de Português

Quando o português chegou
Debaixo duma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena! Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português

Análise:

Ambos os poemas remontam ao descobrimento, mas trazendo novas visões. Em “Erro de Português” uma possível interpretação é a de que o poeta deu esse título ao texto talvez no intuito de dizer que fora um erro o português ter vestido o índio com sua cultura, com seus preceitos, com sua religião, temática que também é abordada no poema: “Brasil”, quando o Zé Pereira já chega fazendo menção de sua religião, perguntando ao guarani se o mesmo era cristão, este não era; mas o negro respondeu que sim, pois saiu da fornalha, ou seja, fora escravo e portanto teve de submeter-se à imposição de valores dos colonizadores. Em “Erro de Português” o autor diz ainda que “... se fosse uma manhã de sol o índio tinha despido o português.” Ou seja, se o português não tivesse a visão embaçada pelas neblinas da ambição, perceberia que se foi ele que chegou a um ambiente onde já havia habitantes, era ele que devia despir-se de seus valores e unir-se a eles.

Por: Lorena Ribeiro Damasceno – Estudante de Letras da Faculdade Saberes – Equipe Sindinotícias.

Foto: meramente ilustrativa/ Internet

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