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Quinta-feira, 14 de Fevereiro de 2008

A Crise do Neoliberalismo

A Crise do Neoliberalismo   O neoliberalismo está em crise generalizada, e o seu crescimento se deu pela ganância da classe dominante, os grandes grupos empresariais. Os detentores de fortunas...

A Crise do Neoliberalismo

O neoliberalismo está em crise generalizada, e o seu crescimento se deu pela ganância da classe dominante, os grandes grupos empresariais. Os detentores de fortunas tinham duas principais alternativas, para multiplicar seu capital: investir seu dinheiro na Bolsa, a rentabilidade podia chegar a níveis muito altos, (na França, em 2006, os mercados bursateis conheceram uma alta de 17,5%, na Alemanha de 22% e na Espanha de 33,6%), ou  investi-lo em um projeto industrial (onde a rentabilidade em 2006, era em média de 6 e 8% na Europa).

Diante da disparidade entre rendimentos do modelo industrial comparado ao da bolsa de valores, os grandes proprietários de capitais só aceitam investir na indústria com a condição de que isso lhes renda no mínino de 15% ao ano. Com a globalização, os capitalistas “selvagens” levaram a produção para a China ou Tailândia, que tem custo muito baixo de mão-de-obra e são isentos de  leis laborais (trabalhistas). Em consequência, as empresas do restante do mundo vão à falência e numerosas outras são obrigadas a fechar as portas, demitindo seus trabalhadores e essa prática de crescimento econômico resultou em enorme custo sócio-ambiental para o mundo.

Os lucros obtidos com a transferência de produção para o mercado asiático ou com o ganho nas ações da bolsa de valores são retidos numa pequena parcela da população, impossibilitando a distribuição de renda, resultando em crescente desemprego e recessão, assim, com menos recursos para o orçamento do governo, aumentam as desigualdades e reforçam os atores sociais poderosos que resistem à extensão dos controles democráticos. O governo perde sua capacidade de atender às necessidades básicas do seu país e proteger seus cidadãos contra o desemprego, miséria, crime e violência. Essa grande regressão social tem relação, principalmente com as camadas mais pobres da população onde, o global se impõe sobre o nacional, a empresa privada sobre o Estado.

O vício do "crescimento econômico sem limites" tem consequências sociais e éticas tendo em vista as disparidades regionais e internacionais. Percebemos um giro intervencionista do Estado, na economia, mas isso não se trata de concessões para a classe trabalhadora ou transferidos a toda a sociedade permitindo, que os ganhos e benefícios obtidos do crescimento apropriado, seja monopolizado por uma minoria em detrimento da coletividade (trabalhadores).  Aquele do mercado contra o Estado, do setor privado contra os serviços públicos, dos egoísmos contra as solidariedades.

Em todo o mundo, as sociedades civis estão se organizando, oferecendo resistência crescente, não apenas aos abusos de poder político e econômico, mas, também à poluição ambiental e à degradação dos recursos naturais, oriundos da economia neoliberal. Essas inovações podem representar os primeiros passos na busca de um novo paradigma econômico e também de um novo estilo de vida e valores que rejeitem a acumulação ilimitada e o consumo conspícuo.

Indubitavelmente, a crise atual lança grande desafio às sociedades, para a urgente necessidade de equalizar a relação conflituosa entre a ganância e o interesse próprio individual, e a demanda imperativa por ajuda mútua e cooperação e por último a miséria, fome, desemprego, morte e destruição de povos e patrimônios históricos e perda da identidade dos estados e nações.  A fim de avançar na direção da sustentabilidade, devemos redefinir o significado de riqueza e progresso face a uma visão de vida e de sociedade mais integrada e sistêmica.

Por: Soraia Fernandes – Colunista do Jornal Sindinotícias

http://www.soraia-fernandes.blogspot.com/

 

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