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Terça-feira, 15 de Julho de 2008

Petroleiros entram hoje no segundo dia de greve

Desde à zero hora desta segunda-feira (14/07), os petroleiros de 33 plataformas e navios de perfuração da Bacia de Campos atenderam ao indicativo do Sindipetro-NF e aderiram à greve de cinco dias por...

Desde à zero hora desta segunda-feira (14/07), os petroleiros de 33 plataformas e navios de perfuração da Bacia de Campos atenderam ao indicativo do Sindipetro-NF e aderiram à greve de cinco dias por uma proposta de Dia de Desembarque que contemple as reivindicações da categoria.

A Petrobras ingressou na Justiça com interdito proibitório e obteve liminar autorizando o embarque de equipes de contingências, colocando em risco a segurança operacional das unidades e expondo os trabalhadores a acidentes.

O Sindipetro orientou os petroleiros a entregarem a planta parada às gerências e solicitarem o desembarque imediato. A greve, que inicialmente foi convocada e planejada para seguir até esta sexta-feira (18/07), com o controle da produção nas mãos dos trabalhadores, será mantida, mas com corte de rendição e desembarque dos petroleiros das plataformas que aderiram ao movimento.

Proposta rejeitada

Nesta segunda-feira, não houve embarque dos trabalhadores que seguiriam para a P-19, P-26 e P-37. O Sindipetro-NF entrou com pedido de habeas corpus para os petroleiros que foram mantidos pela Petrobras nas plataformas contra a sua vontade, o que configura cárcere privado. Os trabalhadores que desembarcaram participaram de assembléia na sede do sindicato, em Macaé, e rejeitaram a proposta apresentada pela Petrobras no último dia 10, mantendo a greve até sexta-feira, como já havia sido aprovado pela categoria.

O dia do desembarque é um pleito antigo dos trabalhadores da Bacia de Campos. A Petrobras comprometeu-se a discutir a questão em 2005 no âmbito da Comissão de Regimes, mas não o fez.

Em dezembro de 2007, durante o fechamento das negociações do ACT, a empresa assegurou que a solução seria encontrada em 60 dias e até agora não cumpriu seus compromissos. Os trabalhadores da Bacia de Campos realizam desde o dia 5 de maio mobilizações pela solução desta pendência, com paralisações de emissões de PTs e outras formas de luta.

O Sindipetro-NF deu prazo até o dia 4 de julho para que a Petrobras apresentasse nova proposta que atendesse as reivindicações da categoria. A empresa, no entanto, apresentou a proposta no dia 10, às vésperas da greve, e não contemplou os trabalhadores, retrocedendo em vários pontos que já haviam avançado na negociação.

Razões da greve

Segundo o diretor de Imprensa do sindicato, Maria Rangel, a paralisação é uma forma de pressionar a Petrobras a pagar mais um dia de trabalho aos petroleiros. Ele explicou que, atualmente, as equipes de petroleiros recebem por apenas 14 dias em que ficam embarcados, em uma escala que implica em outros 21 de descanso.

Há vários anos, a categoria vem tentando, sem obter sucesso, que a Petrobras pague por mais um dia de trabalho, uma vez que os petroleiros só deixam as unidades produtoras no 15º dia. Eles trabalham neste dia até que o helicóptero os leve para a costa.

“Nós estamos negociando com a empresa há mais de dez anos e, no último acordo coletivo, no ano passado, a empresa assumiu o compromisso de pagar pelo 15° dia, o que até hoje não se concretizou. Daí a iniciativa de cruzar os braços, suspender os trabalhos em todas as 42 plataformas sob a nossa responsabilidade por cinco dias, período em que cerca de 7,5 milhões de barris de petróleo deixaram de ser produzido”, afirmou o diretor.

Desabastcimento

O ministro Luiz Dulci, da Secretaria-Geral da Presidência da República, descartou hoje o risco de desabastecimento devido à greve dos servidores da Petrobras. Essa foi a primeira vez que o governo se manifestou sobre o assunto.

“Toda greve traz algum tipo de prejuízo, mas a Petrobras tem um plano de contingenciamento, planejamento e não há nenhum risco”

Dulci disse também que os petroleiros devem chegar a um acordo com a empresa. “Acredito que nos próximos dias se chegará a um entendimento com os trabalhadores e a greve terminará”. Fonte: FUP e Radiobrás

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