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Quinta-feira, 08 de Janeiro de 2009

Jogamos no lixo nosso futuro!

É grande a preocupação da sociedade com o lixo urbano, o problema vem se agravando desde a revolução industrial, assumindo proporções assustadoras nos tempos atuais, devido ao aumento das populações...

É grande a preocupação da sociedade com o lixo urbano, o problema vem se agravando desde a revolução industrial, assumindo proporções assustadoras nos tempos atuais, devido ao aumento das populações nos centros urbanos, à grande variedade de embalagens descartáveis disponíveis e ao advento da “era dos descartáveis”. Os resíduos sólidos, de origem domiciliar e comercial, que as pessoas descartam por serem restos de suas atividades ou por considerarem que não tem utilidade, os dejetos variam de acordo com as características econômicas, sociais e culturais de quem o produz, tendo na sua composição toda sorte de materiais. O lixo brasileiro, de maneira geral, é na sua maior parte composto por matéria orgânica, como restos e partes não aproveitadas de alimentos e de outros vegetais.

Além do lixo domiciliar e comercial a situação se agrava com a enorme quantidade de lixo tecnológico, industrial e de resíduos de saúde produzidos atualmente, aos quais se acrescentam o lixo atômico e o entulho espacial. Os resíduos que requer mais atenção são aqueles cuja degradação é muito longa, como papel, plástico, vidro e metal. Quando jogado sem qualquer cuidado, o lixo provoca poluição do solo, das águas, atrai animais e vetores de doenças e favorece a presença de catadores, o que resulta em graves problemas sociais. No ambiente, ele causa uma grande variedade de problemas que podemos classificar de forma bem ampla como poluição, a exemplo temos o incômodo visual e o odor.

O lixo atrai diversos tipos de animais como ratos e insetos, muitos deles transmissores de doenças para o Homem; prejudica o solo e as reservas de água de forma direta; e pode vir a contaminar o ambiente com a liberação de compostos tóxicos presentes em sua composição, tais como os metais. A elevada carga orgânica presente no chorume faz com que ele seja extremamente poluente e danoso às regiões por ele atingidas. Somado à água das chuvas, esse líquido provoca a lixiviação, carregando os compostos orgânicos, presentes nos aterros sanitários, para o meio ambiente, podendo atingir, inclusive, ambientes aquáticos e os lençóis freáticos, contaminando nossas reservas subterrâneas de água. Quando chega a rios e lagos, o chorume enriquece a água provocando o fenômeno da eutrofização da água. Neste caso o ambiente se deteriora, apresenta mau cheiro, falta de oxigênio e mortandade de peixes.

É preciso diferenciar os aterros controlados, dos aterros sanitários e dos lixões.  Os aterros controlados são, na verdade, lixões modificados para atender a algumas medidas sanitárias. Neles, não há um controle ambiental tão intenso, mas por outro lado, não expõem o lixo a céu aberto, como no caso dos lixões com grandes depósitos onde os dejetos são simplesmente jogados sem o menor cuidado, nem procedimento prévio no local. À medida que começa a apodrecer ocorre a formação do chorume, líquido poluente, de cor escura e odor nauseante, originado de processos biológicos, químicos e físicos da decomposição de resíduos orgânicos que são lixões com medidas sanitárias. A queima do lixo é uma forma de lidar com ele, porém, não pode ser feita de qualquer forma e em qualquer lugar, pois gera problemas de contaminação do solo e do ar. Para reduzir estes problemas deve ser realizada em incineradores, onde condições adequadas de queima são atingidas e filtros apropriados minimizam a poluição atmosférica.

Os aterros sanitários são construídos de forma a controlar os resíduos, seu manejo correto com o imediato recobrimento do lixo trazido, coleta e através do tratamento do chorume, que só existe quando há um grande acúmulo de lixo e da compactação dos gases produzidos, tudo é tratado. Os gases são compactados para produção de energia e o chorume é tratado para não poluir os lençóis freáticos. A escolha do terreno adequado, com uma superfície de argila e, em alguns casos, o aproveitamento dos gases produzidos fazem parte da boa administração de um aterro e garantem a qualidade devida da população que vive ao seu redor. O inconveniente é que eles ocupam muito espaço, mas isso só seria minimizado com mudanças na sociedade capazes de reduzir a quantidade do lixo gerado.

As prefeituras gastam milhões com a limpeza das ruas, a coleta de lixo e o seu processamento, na maioria das vezes enterrados em lixões. Sabe-se, portanto, que muito desses materiais podem ser reciclados e reaproveitados. Cabe ao poder público municipal com apoio do governo estadual, federal e também da iniciativa privada criar mecanismos de coleta e reciclagem do lixo. Quando jogado sem qualquer cuidado, o lixo provoca poluição do solo e das águas, atraí animais e vetores de doenças, e favorece a presença de catadores, o que resulta em graves problemas sociais. A coleta seletiva, que direciona o material para reciclagem, é fundamental para redução do lixo nas cidades.

Quase 100% dos lixos podem ser reciclados como o papel, o plástico e o vidro. Os restos de alimentos servem de adubos para hortas comunitárias. Milhares de pessoas vivem em estado de pobreza pelas ruas com carroças coletando papéis, latas de alumínio, vidros e plásticos para vender. Estas não coletam o óleo resultante do uso culinário porque não há quem os compre a um preço razoável. A prefeitura pode subsidiar adquirindo o material coletado nas ruas montando postos de arrecadação e pagamento a essas pessoas. No próprio local montar fábricas de reciclagem do plástico, papel, alumínio ou vidro, transformando em nova matéria prima, ou até no produto final, de exemplo temos os cadernos, sacos plásticos, sabão etc. Os recursos virão de parcela do que é gasto com a coleta e processamento de lixo, além da verba que normalmente é destinada à limpeza de bueiros, galerias, córregos e rios da cidade, uma vez que menos lixo será encontrado nesses locais. Órgãos municipais, estaduais e federais darão prioridade de compra dos produtos reciclados nas licitações públicas.

O aterro sanitário não é a solução, mas um paliativo. A solução para a grande quantidade de lixo produzida é o reaproveitamento, seguindo a regra dos três R’s: reduzir, reutilizar e reciclar. É possível e necessário reduzir a quantidade de lixo produzida, através de educação ambiental e de políticas públicas. As embalagens de produtos comercializados, por exemplo, podem ser mais leves, sem exigir tanta energia para sua fabricação. Neste sentido, devemos lembrar que tão importante quanto discutir os aspectos relacionados a correta destinação do lixo é discutir de forma profunda e responsável nossos padrões de consumo, de desperdício e a inconsistência de uma sociedade calcada sobre os descartáveis. É inconcebível que um país como o nosso, desigual, injusto, com bolsões de miséria e fome, tenha um lixo tão abundante, com tanta comida e desperdício energético. Literalmente, jogamos no lixo o nosso futuro!

Por: Rodrigo Elias

Tags: meioambiente