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Segunda-feira, 14 de Dezembro de 2009

Neo Pelego

No ano de 1930, durante o Governo de Getúlio Vargas, surgiu a Legislação Trabalhista e surgiu também a figura do Pelego, dirigente sindical de confiança do governo que garantia o atrelamento da...

No ano de 1930, durante o Governo de Getúlio Vargas, surgiu a Legislação Trabalhista e surgiu também a figura do Pelego, dirigente sindical de confiança do governo que garantia o atrelamento da entidade ao Estado.  

O Ministério do Trabalho procura conter o operariado dentro dos limites do Estado com a política de conciliação entre capital e trabalho. O termo “Pelego” tem sido usado para identificar o sindicalista que vive à custa do Estado e que não faz a luta, não defende os trabalhadores e sim os interesses dos empregadores fazendo acordos espúrios a revelia da categoria que representam. 

A contribuição sindical é um dia do salário do mês de março, debitado compulsoriamente de todos os trabalhadores. Parte deste recurso vai para a estrutura sindical oficial. Então o sindicato passa a ter garantido uma receita fixa anual. Neste sentido o pelego não precisa se preocupar em sindicalizar trabalhadores para gerar receita para o sindicato. Ter muitos sindicalizados pode ser um problema já que o sindicalizado tem direito a voz e voto e pode querer disputar a direção do sindicato.  

Durante o Regime Militar os sindicalistas combativos foram perseguidos, presos e até mortos. Os sindicatos de luta e ideológicos foram fechados fazendo perpetuar o peleguismo. Ascenderam os sindicalistas que cooperavam com o Regime Militar e que assumiam um papel meramente assistencialista, deixando de lutar pelos trabalhadores. Não faziam greves e não mobilizavam as categorias. Não eram efetivamente representantes dos trabalhadores. 

No final da década de setenta com o movimento de redemocratização do país começou a surgir também às oposições sindicais para derrotar os pelegos. Os sindicatos começaram a se democratizar. Ocuparam as praças e avenidas com manifestações, passeatas e greves. Fazendo um divisor de água entre capital e trabalho. Surgiu a CUT que organizou os sindicatos para a luta mostrando que capital e trabalho são antagônicos nos seus objetivos. Pelegos foram expulsos das direções sindicais e o sindicalismo tomou outra expressão.  

O capital também se recicla. Surge o neoliberalismo. A reestruturação produtiva proporcionando a desregulamentação do trabalho. O trabalho temporário gerando desemprego e consequentemente o enfraquecimento dos sindicatos.  

Surge também o “neo pelego”. O pelego reciclado. Com discurso cutista e até mesmo marxista. Que conhece os métodos de atuação do sindicalismo combativo. Não faz a discussão democrática com os trabalhadores e rende homenagens aos empregadores. Perpetua-se no poder vivendo à custa do aparelho sindical num padrão não compatível com a categoria que representam. Fazendo acordos espúrios, manipulando eleições e assembleias, adequando os estatutos conforme seus próprios interesses, aumentando o mandato sindical e dificultando o surgimento de chapas concorrentes na disputa pela direção. 

Se articulando com os patrões para demitir trabalhadores que possam vir a concorrer para a direção sindical colocando em risco a hegemonia dos neo pelegos e consequentemente podendo criar problemas para os patrões. 

Os neo pelegos estão por toda parte. Aqui no Espírito Santo está cheio deles. Travestidos de combativos ocupam cargos, atuam em partidos de esquerda, no movimento sindical se locupletando com a luta dos trabalhadores.   

Enviada por: Paulo Coutinho - Presidente Eleito do PT de Vila Velha

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