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Segunda-feira, 18 de Janeiro de 2010
População protesta contra a construção do Porto
Lideranças comunitárias, ambientalistas, comerciantes e moradores do Bairro da Glória se reuniram neste último domingo (17), para manifestação pública de repúdio à construção do Porto na Prainha da...
Lideranças comunitárias, ambientalistas, comerciantes e moradores do Bairro da Glória se reuniram neste último domingo (17), para manifestação pública de repúdio à construção do Porto na Prainha da Glória. A comunidade questionou a eficiência do controle do poder público sobre a atuação dos grandes grupos empresariais. Os espaços públicos não podem ser privatizados por indivíduos, esta foi a opinião que prevaleceu em unanimidade.
Sobre a construção do Porto na Prainha da Glória, os itens mais questionados foram:
Meio ambiente - Se aprovado, causará grande impacto ao ambiente natural da região, com poluição sonora, do ar, das águas, entre outros problemas.
A questão urbanística - Tratando-se de um bairro antigo, o projeto trará problemas de trânsito com suas ruas estreitas e pavimentação não apropriada para tráfego de caminhões pesados. Como efeito disso tudo, rachaduras serão provocadas e as edificações da comunidade e do comércio local serão danificadas, além de ruas esburacadas, caminhões estacionados nas portas das residências e o aumento de fluxo de automóveis. Estas questões podem provocar ainda, o aumento da insegurança aos que circulam diariamente no Pólo de Moda da Glória e também aos moradores do bairro.
A vocação da orla - Lazer e recreação é a vocação de qualquer orla no mundo. A construção do empreendimento inviabilizaria a implantação de um grande Parque, que é um anseio da população.
A questão ética e legal - O empreendedor quando adquiriu o terreno em leilão, pagou um valor mais baixo por estar impedida por lei municipal a construção de prédios residenciais na área. Agora quer que se mude a lei para auferir maiores lucros. Caso a lei seja alterada, permitindo o aterro que pretendem, o município estará sendo irresponsável com o meio ambiente e com as pessoas que moram ali, sacrificando o bem-estar da maioria da população para favorecer a ganância de uma minoria.
Os moradores querem salvaguardar os seus direitos por acreditarem que no Brasil imperam os interesses privados em detrimento aos coletivos: os empresários reinam sozinhos, ditam regras e não cumprem o que manda a Constituição Federal, confundindo o que é público e o que é privado, um dos grandes problemas das administrações públicas do país.
Várias lideranças discursaram. “Não podemos conceber postura tendenciosa a serviço das oligarquias, cujos interesses sempre entram em conflito com os interesses das classes populares”, disse Soraia Fernandes, presidente do MODC-ES (Movimento das Donas de Casa do Espírito Santo). “Não podemos permitir que os interesses privados se sobreponham aos públicos”, fala do Ronaldo, presidente do bairro Paul. Ao final das falas e cantando o Hino Nacional, os moradores deram um abraço simbólico na Prainha da Glória.
Integram a campanha “Diga não à construção do Porto”, as seguintes entidades: MODC-ES – Movimento das Donas de casa do Espírito Santo, ONG Solidariedade ao Meio Ambiente, Associação dos Moradores do Paul, Associação dos Moradores da Ilha das Flores, UNIGLÓRIA- Associação das Empresas do Pólo de Confecções da Glória, APG- Amigos da Prainha da Glória e Associação dos Moradores do Bairro Garoto.
"(...) O mais forte não é nunca assaz forte para ser sempre o senhor, se não transforma essa força em direito e a obediência em dever (...)" Jean-Jacques Rousseau - Do Contrato Social, Livro I, cap. III.
Por: Redação


