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Quarta-feira, 10 de Fevereiro de 2010
Multinacionais divulgam suas pegadas florestais
Relatório inédito do projeto Forest Footprint Disclosure detalha o impacto de dezenas de empresas sobre as florestas mundiais, destaque para a falta de transparência das companhias brasileiras, que...
Relatório inédito do projeto Forest Footprint Disclosure detalha o impacto de dezenas de empresas sobre as florestas mundiais, destaque para a falta de transparência das companhias brasileiras, que não divulgaram suas informações.
Como mostrou o estudo “Deforestation driven by urban population growth and agricultural trade in the twenty-first century ", divulgado no dia 9, o consumo é a grande força por trás do desmatamento. São as péssimas escolhas de produtos e alimentos por parte das pessoas que resultam no aumento da destruição florestal, pois incentivam empresas inconsequentes a ampliarem seus pastos, áreas cultiváveis e a explorarem os recursos naturais das piores maneiras possíveis.
Para ajudar os consumidores a fazerem escolhas mais conscientes e também informar aos investidores o que o seu dinheiro está promovendo foi publicado nesta quarta-feira (10), o relatório Forest Footprint Disclosure (FFD) - Annual Review 2009. Nele, 217 empresas foram convidadas a apresentar os dados do impacto de sua cadeia de produção sobre as florestas mundiais.
Gigantes como British Airways, BMW, L’Oréal, Weyerhaeuser, Adidas, Nike e Unilever participaram do projeto e liberaram suas informações. Já Chevron, Exxon Mobil e muitas outras, incluindo as brasileiras Copersucar, Cosan, Marfrig e Bertin, não aceitaram fornecer seus dados.
O relatório ameniza a não participação de algumas companhias dizendo que essas informações podem ser classificadas como sigilosas.
Relatório
Foram analisados diversos setores ligados ao desmatamento que utilizam as commodities da pecuária, madeira, óleo de palma, soja e biocombustíveis.
No setor de petróleo e gás, por exemplo, poucas empresas aceitaram participar do projeto. O que é decepcionante já que são empresas que fazem muita publicidade de suas “ações ambientais”. O destaque positivo foi para a finlandesa Neste Oil, por sua busca por óleo de palma de fornecedores que não provoquem desmatamento.
Com relação aos alimentos, apesar da busca por carne certificada já ser uma preocupação, isso ainda não é uma das principais prioridades. Existem muitos problemas com os fornecedores e muitas fraudes, o que é frequentemente alvo de críticas pelas ONGs. Praticamente não existe compromisso com a compra de soja certificada. Nestlé, Unilever e Cadbury são alguns dos destaques positivos, já a Danone se recusou a participar da pesquisa. É nesse setor que mais aparecem as empresas brasileiras e todas, infelizmente, não liberaram seus dados. São elas: Companhia Brasileira de Açúcar e Álcool, Copersucar, Cosan, Crystalsev, JBS, Marfrig, Santaelisa Vale,São Martinho e Usina Coruripe.
O setor que mais teve participantes na pesquisa foi de cosméticos e itens de satisfação pessoal. Porém, ainda nenhuma companhia pode afirmar que 100% dos seus fornecedores não agridem o meio ambiente. Além disso, apesar de várias dessas empresas terem políticas para as mudanças climáticas, poucas fazem a relação entre o fenômeno e o desmatamento. A melhor performance no setor ficou com a L’Oreal. Bertin, Colgate e Johnson & Johnson estão entre as empresas que não responderam.
O Forest Footprint Disclosure - Annual Review 2009 analisou ainda outros setores, como materiais básicos e automóveis. O relatório apresenta também, uma grande parte, dedicada à criação de gado no Brasil, na qual é discutido o desafio de se manter o crescimento dessa indústria sem que isso resulte no avanço do desmatamento na Amazônia.
“Não haverá solução para as mudanças climáticas sem uma solução para o desmatamento. Nosso trabalho é mostrar para as companhias as responsabilidades delas em diminuir as pegadas florestais.”, concluiu Andrew Mitchell, presidente do Comitê Diretivo do FFD. Fonte: CarbonoBrasil


