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Domingo, 14 de Fevereiro de 2010
Feriado 5. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!
A expressão no título é uma das colocações mais feitas na Bíblia por Jesus aos seus discípulos (Mc. 4:9 e 23 e 7:16, Lc. 8:8 e 14:35). Essa sábia palavra nos leva a refletir acerca de diversos...
A expressão no título é uma das colocações mais feitas na Bíblia por Jesus aos seus discípulos (Mc. 4:9 e 23 e 7:16, Lc. 8:8 e 14:35). Essa sábia palavra nos leva a refletir acerca de diversos assuntos, entre eles o da individualidade na qual se encontra o homem moderno. Entretanto, quero expressar inicialmente que não irei relatar sobre a vida do homem especificamente, até porque essa é uma difícil tarefa, mas me limitarei a falar um pouco sobre a atual crise mundial financeira mundial, mediante a exploração de alguns textos bíblicos. Deixo claro que respeito cada um que exerce sua crença, religião ou ideologia. Falarei dessas coisas com base em minha experiência de vida.
Não irei discutir o que é certo ou errado. Apenas reproduzirei alguns trechos que estão expostos na Bíblia Cristã. Eu me lembro de que quando fazia o primeiro grau meu professor de História nos perguntou: “Para quê serve a História?” Alguns até se arriscaram a responder, mas a resposta era mais simples que imaginávamos. “A História serve para que as pessoas conheçam como agimos e erramos ou acertamos, para que nos sirva de lição, para que os erros não sejam repetidos”, concluiu meu sábio professor. Sabendo ou não, a lição que ele ensinou naquele dia, no primário de uma pacata cidade do Estado do Espírito Santo, no Brasil, eu guardo para o resto de minha vida.
Dizia meu professor que a Revolução Industrial do século XVIII, na Inglaterra, trouxe mudanças impressionantes na história, principalmente, no que diz respeito ao sistema de produção de mercadorias. O trabalho tecnológico (máquinas) foi substituindo rapidamente o trabalho vivo (homens), com o objetivo de produzir mais mercadorias e lucrar mais rápido. À medida que tais máquinas iam aparecendo, os Bancos investiam suas fortunas naquelas novas indústrias, e milhares de trabalhadores lotavam as fábricas. Com o aumento progressivo da produção, os países europeus começaram a vender os seus produtos para os países periféricos, os hoje chamados de emergentes.
“Com muito dinheiro também vem o poder”, dizia meu professor. Assim, a distribuição do dinheiro aos trabalhadores não era justa e os Estados e as nações começam a bramar. Populações foram empurradas para a loucura da concorrência. Na luta pela sobrevivência, assaltam-se em guerras étnicas de multidões. Com novas vestes ressurgem o racismo, a xenofobia, o genocídio, o nazismo, o fascismo, e várias outras ideologias. A criminalidade aumenta e fica sob a competência dos Poderes (não apenas os três Poderes, mas os poderes de seitas religiosas, das máfias dos esquadrões da morte e das armas de fogo). Aumenta assim a violência: o número de pessoas nas prisões, crianças e pobres assassinadas, mulheres espancadas... Três quartos da humanidade afundam-se em estado de miséria e calamidade porque o sistema social de trabalho não precisa mais de sua mão-de-obra e são declarados “lixo social”.
O “crash” da Bolsa de Nova Iorque em 1929 gerou a conhecida “Grande Depressão” da década de 30 e atingiu todos os países e todos os aspectos da vida: social, político, doméstico, mundial. As crises aumentaram no berço do sistema capitalista: os Estados Unidos, principalmente com a crise de desconfiança nas Bolsas de valores, porque não se sabe mais quem está vendendo papéis podres, assusta não somente os americanos, mas o mundo inteiro, dando sinais claros e evidentes de que o pior ainda está por vir. Uma profecia bíblica alerta que nos dias derradeiros a prata deles seria lançada nas ruas e o próprio ouro seria abominável. Realmente, conforme os novos dados econômicos, os seus títulos não valem mais do que papéis impressos (Ezequiel 7: 19). Mesmo com a aprovação do pacote de ajuda de bilhões de dólares, o mercado não se acalma, pelo contrário, aumentam as suas perdas progressivamente.
Mas eu disse que iria relatar aqui trechos bíblicos. Um relato bíblico nos revela a fragilidade não somente do sistema capitalista, mas de todos os impérios mundiais. Vou contar a história de Nabucodonosor, o poderoso rei da Babilônia. Na época, nenhum de seus mais sábios e adivinhos foi capaz de interpretar um de seus sonhos. Porém, Daniel, um discípulo de Deus, não teve dificuldade para interpretar o sonho profético. O rei viu uma enorme estátua, que tinha a cabeça de ouro, os braços de prata, o ventre de bronze, as pernas de ferro e os pés parcialmente de ferro e argila. Daniel disse ao rei que o sonho era acerca de outros grandiosos reinos após o babilônico. Daniel falava da sucessão de potências mundiais, representadas pelas partes da estátua. Começou com a cabeça, representando o reino de Nabucodonosor, o peito e os braços de prata representando o domínio feito pela Média-Pérsia, o ventre e os quadris de bronze representando a Grécia, as pernas de ferro, o Império Romano... E os pés e os dedos dos pés, de ferro misturado com argila? Daniel disse ao rei que simbolizava a manifestação final do domínio humano, que existiria durante “o tempo do fim”. (Daniel 12:4). Chegamos então aos pés da estátua.
Daniel disse ainda ao rei que uma pedra sem mãos se cortou do céu e golpeou a estátua nos seus pés, destruindo-a por completo (é bom lembrar a fragilidade desses “pés”, uma vez que a argila não se mistura com o ferro). A profecia de Daniel aponta não somente para o fim do atual sistema capitalista, mas também para todos os Governos mundiais. O que não quer dizer que será o fim do mundo, mas o começo de um novo sistema. Observe o que diz uma passagem bíblica: “E nos dias daqueles reis, (os Governos atuais) o Deus do céu estabelecerá um reino que jamais será arruinado. E o próprio reino não passará a qualquer outro povo. Esmiuçará e porá termo a todos esses reinos, e ele mesmo ficará estabelecido por tempos indefinidos” (Daniel 2: 44). Contudo, o “novo Governo” será aparentemente perfeito, mas tão frágil quanto os outros reinos, pois seria ferro com argila (algo como um capitalismo mascarado de socialismo. Daí o retorno da esquerda reforçada em alguns países hoje). “Ele aparecerá em cena na hora final da história de Israel” (Daniel 8: 23) e “sua ascensão virá por meio do seu programa de paz” (Daniel 8:25).
Nosso mundo está condicionado, após tantas guerras e rumores de guerra, a desejar a paz a qualquer custo. As manchetes e os editoriais dos jornais expressam o desejo por Paz e Segurança (exatamente como o apóstolo Paulo predisse em I Tessalonicenses 5: 2). As dores do parto (Mateus 24) que precederão são tremendos atos de violência e levantes, guerras e rumores de guerra, terremotos em todo o mundo, fome e pestes.
Não é de se admirar que a atual fragilidade do sistema capitalista seja ilustrada como um gigante dos pés feitos de ferro e barro. Se o sistema capitalista não foi capaz de minimizar os problemas do homem, o Reino de Deus irá mais além. Todavia quando for implantado o verdadeiro Governo de justiça, não haverá mais o pranto, a doença, a velhice nem a própria morte. Nessa época, Deus abrirá a sua mão e satisfará o desejo de toda coisa vivente. Pergunto: não é esse o sistema que esperávamos? (Apocalipse 21: 3-5). Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.
Por: Rodrigo Elias (Gestor em Assessoria de Comunicação)


