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Domingo, 14 de Fevereiro de 2010

Feriado. Precisamos de boa alimentação nos locais de trabalho

A má alimentação causa perdas de até 20% na produtividade. Esse é o dado de um estudo feito pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), lançado no XVII Congresso Mundial sobre Saúde e Seguridade...

A má alimentação causa perdas de até 20% na produtividade. Esse é o dado de um estudo feito pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), lançado no XVII Congresso Mundial sobre Saúde e Seguridade no Trabalho, realizado na Flórida, Estados Unidos.

Segundo o estudo, nos países em desenvolvimento a desnutrição é o que causa perda da produtividade. Já nos países mais ricos o problema é a obesidade, o que para as empresas reflete em custos de seguros, licenças pagas e outros. A soma chega aos 12.700 milhões de dólares anuais.

Com base nesses dados, o Jornal Sindinotícias fez um levantamento em alguns sindicatos do Espírito Santo para verificar se existe preocupação por parte das empresas com relação à saúde do trabalhador, à alimentação e à produtividade.

O coordenador em exercício do Sindialimentação-ES, Júlio César de Souza, afirmou ao Jornal Sindinotícias que ainda são poucas as empresas que se alertam para os problemas relacionados à má alimentação. “As grandes empresas do Estado são as que possuem mais visão de qualidade de vida e alimentação. É o caso da Coca-Cola, Sucos Mais e da Chocolates Garoto. Nessas grandes empresas, a alimentação existe, mas ainda falta atenção para uma dieta adequada ao trabalhador”, comentou.

Segundo Júlio, os problemas maiores estão nas pequenas empresas. “No interior temos algumas empresas que não têm estrutura para refeitórios. Mas pior que isso é que nem dão tíquete para os funcionários. Alguns trabalhadores levam marmita de suas casas e algumas vezes chega estragada. Isso causa doenças e consequentemente perda de produtividade nessas empresas. Por isso uma das metas do Sindialimentação para 2008 é conseguir o tíquete para os trabalhadores nessas empresas, como conseguimos recentemente com a Refrigerantes Coroa”, salientou.

O presidente do Sindicato dos trabalhadores em Empresas de Asseio, Conservação e Limpeza Pública do ES (Sindilimpe), José Luís Rodrigues, explicou que nos últimos anos o sindicato tem feito uma política de aproximação com o serviço público, pois os casos de doenças são altos. “A limpeza pública está em péssimas condições de trabalho. Os garis se alimentam em qualquer lugar que estejam, ou seja, não têm ponto fixo e isso facilita as doenças. Temos uma campanha chamada “Campanha por melhores condições de trabalho e vida para trabalhadores de limpeza urbana”, e há seis anos estamos nesta luta pela alimentação. Como exemplo, a Prefeitura de Vitória disponibiliza um lugar fixo para os trabalhadores de limpeza pública se alimentarem”, afirmou.

Para o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos de Vila Velha, José Carlos de Siqueira Júnior, o maior problema dos servidores são os baixos salários. “O salário do servidor está longe do mínimo para a cesta básica, algo que hoje está em torno de R$ 1.600. Existem servidores que recebem R$ 270 reais”, conta.

Siqueira explica que ainda falta visão pública para atentar para o problema. “Ninguém joga contra si mesmo, ou seja, ninguém quer ficar obeso por si só. Hoje nossa cultura é voltada para a estética e a beleza. Portanto é necessário investimentos nesta área, caso contrário o aumento de problemas relacionando trabalhadores e saúde será pior daqui a algum tempo”, alertou.

A conclusão do estudo da OIT diz que a alimentação no trabalho é considerada como um elemento secundário ou como um obstáculo por parte de alguns empregadores, então, é uma “oportunidade perdida” de aumentar a produtividade e a moral. Com os dados aqui mostrados, vemos que em nosso Estado o mesmo problema ocorre semelhantemente a outros Estados e países.

Recente pesquisa no Brasil encomendada pelo Ministério da Saúde revelou que o brasileiro está longe de ter uma vida saudável. E mais: atualmente, 61% das mortes que ocorrem no país são causadas por doenças não transmissíveis. Destas mortes, 27,5% são provocadas por distúrbios cardiovasculares. Sem falar no impacto econômico: hoje, R$ 10,9 bilhões são gastos anualmente com consultas, exames, internações e cirurgias provocadas por doenças não transmissíveis.

Alguns órgãos nacionais, como é o caso do Ministério Público do Trabalho (MPT), vêm criando ações para solucionar o problema. O MPT criou o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) com objetivo de melhorar as condições nutricionais dos trabalhadores, com repercussões positivas para a qualidade de vida, a redução de acidentes de trabalho e o aumento da produtividade. Cabe portanto as empresas se alertarem para o fato de que alimentação é sim responsabilidade de todos.

É bom lembrar que trabalhador bem alimentado adoece menos, reduz gastos no sistema de saúde pública e nos índices de acidentes do trabalho. O ambiente social melhora, assim como a produtividade e a manutenção de pessoal, e cai o índice de faltas por motivos de saúde. Assim todos nós ganhamos e ainda contribuímos para a construção de uma sociedade mais digna e justa para os trabalhadores.

Confira os benefícios de um programa de boa alimentação para os trabalhadores (Fonte: MPT /PAT):

Para trabalhador - Melhoria de suas condições nutricionais e de qualidade de vida; - Aumento de sua capacidade física; - Aumento de resistência à fadiga; - Aumento de resistência a doenças; - Redução de acidentes de trabalho.

Para empresas- Aumento de produtividade; - Maior integração entre trabalhador e empresa; - Redução do absenteísmo (atrasos e faltas); - Redução da rotatividade; - Isenção de encargos sociais sobre o valor da alimentação fornecida; - Incentivo fiscal (dedução de até 4% no imposto de renda devido).

Para o Governo- Redução de despesas e investimentos na área da saúde; - Crescimento da atividade econômica; - Bem-estar social.

Por: Rodrigo Elias – Gestor em Assessoria de Comunicação

Matéria originalmente publicada em 18 de Janeiro de 2008

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