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Sexta-feira, 30 de Julho de 2010

Kleber Galvêas: Um artista em defesa da natureza capixaba.

A vida e a arte de Kleber Galvêas em algumas linhas.

O Jornal Sindinoticias entrevistou o maior artista plástico da atualidade em terras capixabas, Kléber Gauvêas que na oportunidade falou um pouco de sua historia de vida e do dever cívico de defender o meio ambiente, os seres humanos e a vida, além de seu aprendizado como aluno de Homero Massena. Acompanhe a entrevista:

SD: Como tudo começou?

Kleber Gauvêas – Nasci em 14 de dezembro de 1947. Meus primeiros anos de infância foram passados em Dores do Rio Preto, São Mateus, Rio de Janeiro e com apenas 7 anos vim morar na Prainha, em Vila Velha. Nesta época recebi de minha mãe as primeiras orientações sobre pintura. Matriculado no Colégio Marista tive aulas de desenho como disciplina à parte desde o 1º ano primário.

Aos 15 anos de idade passei a frequentar o Ateliê de Homero Massena, onde o acompanhei até sua morte em 1974. Em seguida organizei no Teatro Carlos Gomes uma retrospectiva em sua homenagem com um catálogo que contava sobre a vida e a obra do grande mestre.

Em 1966 participei, com telas pintadas com asfalto, do primeiro Salão Nacional de Artes Plásticas do ES e expus com Massena na cobertura do Torium Hotel, de Guarapari. Fui convidado para pintar painéis e projetar os stands, do XIII Congresso Brasileiro de Anestesiologia, no Siribeira, em Guarapari. Com o ganho desse trabalho, aos 19 anos, embarquei num navio cargueiro e fui cursar Medicina em Lisboa, entretanto, lá, mudei de idéia e comecei a estudar gravura em metal na Sociedade Nacional dos Gravadores Portugueses e arte abstrata com o artista português, Peniche Galveias.

SD: O que mais te marcou na carreira internacional?

Kleber Gauvêas - Na Inglaterra (1968) participei da restauração de uma casa georgiana do séc. XVIII. Visitei alguns monumentos e museus da Inglaterra, Holanda, França, Espanha, Argélia, Marrocos e Portugal. Foi marcante.

SD: Em algum momento você tentou abandonar a pintura?

Kleber Gauvêas – Sim, de volta ao Brasil, tentei abandonar a pintura e cursei Economia e Licenciatura em Ciências na UFES. Dei aulas de alfabetização para adultos, inglês, ciências, astronomia e metodologia científica em escolas públicas do ES. Mas em 1974, me casei com Anita Bonadiman e vim morar na Barra do Jucu (Foi um promessa que tinha feito a meus pais quando tinha apenas 7 anos) numa singela casa, feita há 70 anos com apenas um saco de cimento. Hoje tenho 3 filhos barrenses: Homero, Augusto e Alexandre.

Neste momento ajudei a criar o Centro de Artes da Barra do Jucu, primeiro espaço privado a mostrar regularmente a Arte produzida no ES; colaboro ativamente na ressurreição da Banda de Congo da Barra; ajudei na criação, com o apoio da L.B.A da primeira Banda Mirim de Congo; promovi a primeira desapropriação de Jacaranema e no Conselho Estadual de Cultura, participei dos primeiros tombamentos de bens culturais e paisagísticos do ES.

SD: Fale um pouco sobre o Museu Homero Massena?

Kleber Gauvêas - Em 1986, me inspirei para montar o Museu Homero Massena, o 1°de artes plásticas do ES. Já em 1979, abri ao público o meu ateliê na Prainha, Vila Velha, onde realizo inúmeras exposições revelando novos talentos e apresentando os resultados das minhas pesquisas em arte (200.000 visitas).

SD: Sintetize sua luta em defesa do meio ambiente?

Kleber Gauvêas – Quando eu tinha sete anos e vim passar umas férias na Barra do Jucu com meus pais. Certo dia eu avistei uma mata próxima de onde eu ficava chamada Jucará, que pegava fogo (hoje é o bairro chamado Ilha da Juçara). Quando fui tentar pedir ajuda me disseram que só o proprietário era quem poderia tomar providência. Isso me despertou a lutar pelo Meio Ambiente.

Quando vi que a reserva de Jacaranema era a última sobrando na região, me juntei a ambientalistas (na época do governo Américo Bernardo) e consegui desapropriar a região. Hoje infelizmente os governos me trouxeram uma enorme decepção, pois não cumprem o compromisso de defender as regiões ambientais do estado. Isso me trouxe um desgosto grande. Mesmo assim, ainda tenho contato com ambientalistas que estão com abaixo assinado para tentar liberar a área da Praia dos Recifes, aqui na Barra. Tenho também em meu site alguns vídeos que fiz sobre a questão da poluição, para quem quiser ficar alerta está disponível.

Por: Redação

Foto Capa: Arquivo pessoal de Kleber Galvêas.

Tags: artista, meioambiente, pintura