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Terça-feira, 07 de Setembro de 2010
Desintoxique-se deste apocalipse.
A partir da renascença, o Ter então passou a tomar a importância do Ser.
Muitos estudiosos alertam para os possíveis efeitos nocivos da utilização da tecnologia. Será que as pessoas que utilizam frequentemente a tecnologia se relacionam menos pessoalmente com outros seres humanos? Será que as crianças de hoje se tornaram dependentes de tecnologia para aprender? Será que vão encontrar materiais inapropriados?
O mesmo foi dito provavelmente com a invenção da imprensa, rádio e televisão. Todos esses veículos podem ser usados de forma inadequada, mas todos eles têm dado a humanidade ilimitado acesso à informação que pode ser transformada em conhecimento. Entretanto, esse não é o centro da questão, mas o que queremos abordar brevemente é o Ter e o Ser da sociedade moderna. O lado tecnológico neste caso é apenas um reflexo da sociedade moderna.
O Ser era mais forte quando as ciências ainda não tinham atingido a grande erupção do modernismo. A partir da renascença, o Ter então passou a tomar a importância do Ser. O homem passa a valorizar seu trabalho e ter mais autonomia tornando-se senhor de si mesmo e com isso um materialista nato. Nada disso era novidade para Marx e Webber. O que cito é o tal materialismo econômico, estudado por Karl Marx (1818-1883) e Max Weber (1864-1920), dentre outros, onde a ênfase é dada às posses materiais, e não a qualquer outra coisa. O materialismo econômico vai encontrar grande campo para semear-se na América do Norte, especialmente após William James (1842-1910) teorizar a corrente pragmática, cujas maiores influências abateram-se exatamente sobre a economia.
O Ter reina no mundo moderno com muita imponência háséculos e parece não ter mais limites. O resgate do Ser precisa tomar nova direção para retomar seu espaço e readquirir mais poder que o Ter. Missão essa muito difícil em uma sociedade onde hoje tudo é descartável e tem um valor momentâneo e meramente econômico. Não é a toa que a frequência e a intensidade do desejo de partilhar, dar e sacrificar é um pilar crescente do mundo contemporâneo. Basta um olhar para as condições de hoje da existência da espécie humana.
Remamos hoje em favor da correnteza que nos leva a uma catarata. É hora de retroceder, radicalmente, e influenciar as pessoas de nosso barco para que não afundemos em meio à maré. O leme está em nossas mãos.
Equipe Sindinotícias: Rodrigo Elias – Colunista do Jornal Sindinotícias e gestor em assessoria de comunicação.


